sábado, 15 de março de 2014

A flor do Muçambê

A flor do Muçambê

Mulher, Tens o cheiro da flor de Muçambê, o cheiro da mulher real sem subterfúgios e cortinas perfumadas.

tens o cheiro maravilhoso da naturalidade, do suor que escorre para entre tuas pernas e com o calor abrasador de novembro se fundem entre os lábios de tua intimidade e dali exalam maravilhosa essência de mulher real.


És a mulher antítese das modelos estéreis, és o contrário das musas auto-perfumadas; és a negação da estética insossa, do brilho falso, da comida sem sal e dos sucos açucarados.

És meu café forte e sem açúcar que me faz palpitar o peito e confundir meu sexto sentido. És o doce encontro de uma face com um colo , irmanados no nada e em tudo.

Você é real e natural, palpável e possível; perfeita e minha!

Tuas curvas não precisaram ser moldadas em exercícios pois nascesses assim bela. Tua pele tem o tom do caramelo de leite e a textura das pétalas de minhas roseiras. Tua pele perfeita grudou-se à minha e agora sinto que parte de minha derme foi arrancada e agora está a quilômetros de distancia.

Teu sexo, tão retraído e acanhado aos poucos me foi revelado, tua obediência e confiança aos poucos me seduziram; teu olhar de fêmea no cio me domou o lobo interno de uma forma avessa onde essa fera ora domada transformou-se em uma fúria elementar e natural tal qual o pé-de-vento que nos deixou às escuras, que varreu as ruas, que tombou árvores e telhados levou aos céus.

Tuas carnes mágicas não resistiram ao meu ataque, porém foram indolentes com minhas marcas que não pude deixar.

Há Mulher...

Você me confundiu entre o jogo e o sexo, fez nascer homem onde deveria haver mestre e fez brochar o homem onde deveria haver o lobo. Você veio como ovelha e devagarzinho transformou-se em loba e de quebra me conduziu a uma jaula de prazer, sexo, luxuria e calma serena.

Te analisei cada centímetro, cada palavra e gesto. Te estudei de mil formas e de milhares de pontos de vista pude observar você mulher perfeita.

Como foi bom dialogar com você e perceber seu olhar de acolhimento e integração. Você não se fez de rogada e ao mesmo tempo interagiu de forma respeitosa, insinuante e boa. Tens o selo da bondade, o signo do companheirismo e a marca da beleza.

Milhares de contas teria que ter o rosário das loas, para que um minimo possível fosse necessário para te falar do quento te quero bem. Um ano-luz seria pouco para multiplicar pela quantidade de estrelas e depois de dobrado esse numero, ainda seria pequeno diante do amor que tenho por ti.

A distancia, os teus compromissos, nossas responsabilidades e tantas e tantas outras coisas nos impedem de sermos mais e únicos, plenos e unos. Essa vida as vezes parece ser injusta, incompleta e filha da puta. E não é que as vezes ela é mesmo? Queria poder ser mais, ser amalgamado na tua sombra, ser macerado junto com teu sangue dentro de tuas artérias e vagar pelo teu corpo durante toda a vida.

Mulher, tu és a MINHA flor de Muçambê...

01 de dezembro de 2013

quinta-feira, 13 de março de 2014

Interlúdio entre a tempestade e o sol

Interlúdio entre a tempestade e o sol

Hoje vi uma amiga desolada por conta de uma tempestade interna que a abalou e a deixou fragorosamente pra baixo. Pude observa que uma terceira pessoa tentou acalmar seu momento com a frase “depois da tempestade, vem o sol!”

Sim... Depois da tempestade sempre vem o sol... só que entre eles sempre tem MUITA lama também...


e a roupa que ficou no varal...
e a roupa que não ficou no varal e caiu no chão sujo...
e a roupa que não ficou no varal e não caiu no chão sujo, foi levada pelo vento...
e cachorro molhado....
e calçada cheia de folhas...
e um monte de coisas que a tempestade deixa como lembrança...

Compreendem que é justamente na espera pelo sol, ao nos apercebermos que finda a tempestade, que notamos o estrago feito?

Aí o sol já chegou, mas a lama, as folhas, os estragos e o cheiro de mofo estão ali interpenetrados, amalgamados nas nossas entranhas. Extasiados observamos o tamanho do estrago!

Mesmo com o sol lindo e vicejante lá no alto, nossa vida está mergulhada nos escombros lamacentos da procela que a tudo bagunçou. O som dos trovões ainda ecoam na nossa mente, os clarões dos raios ainda estão estampados no fundo de nossas retinas!

É a hora difícil, é a hora de lamber as feridas, pois na hora do qüiproquó da tormenta, tínhamos que ser fortes e não podíamos pensar em nada a não ser sobreviver!

E depois?

Depois fica a lambeção de feridas, a constatação do estrago, a aceitação do caos.
É a hora de arrumar a tua casa interior, abrir as janelas, lavar tudo e aproveitar enquanto estiveres remendando sua colcha de retalhos chamada VIDA, para refletir e vê se aprendes a não cair mais na mesma armadilha.

Uma opinião: a gente sempre cai de novo... Varias vezes... Até criarmos vergonha na cara... é fato...

Mas não se deslumbre porque o sol chegou e a tempestade se foi, essa é uma hora complicada. É a hora de rever-se e reconstruir-se. esse é um momento preocupantemente difícil!!!!

o suicídio começa justamente quando o sol desponta depois de uma amarga noite,eu sei bem disso...

Gostaria de não saber, mas sei...

Marcelo Silva
13 de março de 2014 , 10:18 da manhã

sexta-feira, 7 de março de 2014

Apenas Uma fantasia?

Apenas Uma fantasia?

Um sol a pino, causticando as ruas e ressecando minha pele ardida. Uma esquina ricamente decorada com as tintas das cores da alegria; e lá dentro os instrumentos renasciam nas mãos do contramestre a esticar suas cordas e afinar suas peles tão finas e tão poderosas.

Ao longe um perfume canábico que me trazia as lembranças de terras de outrora, de tempos idos e jamais recuperados. A dolorosa ladeira me remetia aos altos e baixos Olindenses, enquanto que o bafo quente do rio logo abaixo mergulhava minha lembrança no calor molhado que foge dos mangues recifences e se espalha pelas ruas de minha capital.


Mas eis a dicotomia da realidade e da lembrança: não estava eu em terras Pernambucanas, e sim no “sul-maravilha” que a tantos e tantos anos norteou a descida ao sul de tantas e tantas cabeças de minha gente, de meu povo.

Os preparativos finais com as cores de Baco e o sabor de Dionísio permearam minha pele, delicadamente violentaram meus tímpanos e tomaram de assalto minhas narinas, fazendo-me cativo de um paradoxo de espaço/tempo onde aquela terra aos poucos se tornava uma outra nação.

Aos poucos, vinha chegando mais gente, etnias dispares e classificações sociais diferentes. Eram batuqueiros e batuqueiras, pessoas imbuídas na sagrada missão musical do lúdico e do belo, filhos dos anjos que antes de decaírem deram aos homens as artes e a capacidade de com elas interagirem. O profano cada vez mais se miscigenava com o sacro e dessa união quase que sexual, aquela esquina paria, dando à luz filhos de um tempo chamado musica, de um lugar chamado arte; de um sangue chamado fraternidade.

De repente, uma caixa solitária repica uma cadencia ritmada e facilmente reconhecida aos meus ouvidos, meu corpo se estremece antegozando o que viria em seguida: madeira, pele e fibras entoam um trovejar ritmado que rugia dessa tríade de elementos. As alfaias respondiam à caixa e logo em seguida vieram as vozes dos xequerês, embalados nos braços das moças como se fossem crianças a serem embaladas num doce e mítico mantra sem fim. Ao longe, o metálico som do gonguê marcava agudamente o que o grave troar das peles compassava ao seu modo.

Estandartes eram desfraldados, para que aquele grupo pudesse exibir suas cores, tradições e crenças. A rua tremia ao peso do maracatu, as pessoas assistiam meio que incrédulas àquela manifestação popular, àquela arte que insultava aos eruditos e causava espécie aos donos das cátedras que desde sempre vilipendia a cultura popular como se essa carecesse de partituras ou de outros limites e rédeas que jamais domarão o que o povo miscigenou.

Algo acontecia! Algo de místico, de paranormal; de inexplicável. O peso de meus 44 anos começava a se esvair, o cansaço de uma lua de mel com minha jovem ninfa de 24 anos parecia longe; a dor dos pinos em meu pé foi suplantada por um bater de cascos no chão. Eu me despedia de mim mesmo e ao poucos era tomado por um animal gutural, por uma entidade ancestral que meu cérebro reptiliano começa a purgar em doses e golfadas que seguiam a cadencia do batuque como se fossem jorros de um orgasmo a muito represado.

Abracei o anfitrião do folguedo, pedindo-lhe bênçãos e agradecendo pela honra de empunhar o símbolo daquela reunião, daquele rito; de tudo o que seria e que realmente foi. Vesti aquela fantasia e de repente, de humano me transmutei em uma entidade. Dentro daqueles panos e arames eu não era mais eu, era mais! Era uma ave que embora não lhe foi permitido o vôo, me fez voar por sobre pessoas, conceitos, ruas e mentes, sendo levado pela cadencia que me fazia pleno, que me alçava e me fazia sentir-se parte de algo maior, de algo que só aos infantis, iniciados e artísticos é permitido conhecer!

O suor me escorria da cada poro, as pernas não mais me obedeciam, pois seu verdadeiro mestre não era mais minha mente, e sim o som que me hipnotizava em um transe ancestral. Cada vez que o cansaço me alcançava eu me aproximava dos músicos e eles gratuitamente me renovavam da psicodélica droga do baque solto, do baque virado, do baque que metamorfoseava a mente e jogava a realidade em vias paralelas à tudo que podemos reconhecer.

Toda e qualquer ajuda a mim oferecida, eu intimamente tomava como insulto! Pois era minha a honra de exibir aquele símbolo às crianças que tanto amam e crêem naquela ave pernalta. Era meu o direito de mitigar cada músculo meu como se fosse uma paga prometida; meu era o momento, e apesar de escondido por sobre a corpórea mascara, ostentava respeitosamente o seu encaminhar até sua apoteose final.

Há as crianças! Como me renovavam o fôlego ao chamar o símbolo, como faziam com que tudo valesse a pena! Mesmo aquelas crescidas, que portando décadas de historia ainda se emocionavam com a imagem de um ser quimérico que só a imaginação seria capaz de produzir.

A chuva que caia refrescou o calor, mas não amainou os ânimos! A bendita água a tanto desejada e esperada foi balsâmica e divinamente refrescante, porem em nada diminuiu o cortejo que seguiu impávido e imponente, sendo ao mesmo tempo humilde em sua resignação de seguir em frente sob sol ou sob chuva, mas sempre marchando e desfilando por sobre as pedras frias da cidade de aço, concreto e vidro.

Mas a universal lei da renovação se fez presente, e tudo que se inicia, tem seu momento de término. E a Ema chegou em seu palco, e o povo que a seguia se avolumou e numa amalgama fértil de etnias, crenças, castas e origens, se fazendo uma; se uniu ao todo que a tudo gerou e introjetou-se de folia, de festa e alegria! E a massa coesa e feliz chegou ao seu destino sem brigas, sem iras, fúrias ou raivas (in)contidas. E essa mesma mistura confraternizou em paz, comungou naquela catedral aberta, naquela nave que a todos abrigava e a nenhum proibia.

Então me despi do símbolo e novamente me tornei mortal, mais uma vez voltei-me a minha parca condição de apenas mais um transeunte no meio da multidão. Agora o transe começa a se esvair e me sentia meio órfão, meio morto, meio homem cuja metade animal fora despida e agora jazia num canto do palco a espera de que alguém a fizesse reviver e assumisse o posto que egoisticamente neguei a todos durante toda a levada.

O som era por mim absorvido de forma esdrúxula, as cores tomavam formas lisérgicas aos meus olhos que giravam como deviches em festa. O chão sob meus pés parecia gelatinoso e meus sentidos béticos e tridimensionais eclodiam em novas formas de percepção. Era o transe que aos poucos me deixava novamente são, mesmo eu querendo que toda a sanidade do universo fosse embora e que meu deleite e minha doce ilusão durasse eternamente.

E mesmo desejando ficar até o ultimo sussurro das vozes que embalavam a multidão, o peso da idade, do calor, e das dores que tomavam meu corpo me forçou a me despedir do meu caríssimo anfitrião e me recolhesse aos braços de minha doce ninfa que a tudo, ao longe assistiu. Era o fim de mais um missão de fé, fé na alegria e no amor fraternal, fé na condição humana de ser feliz levando alegria e felicidade por onde quer que se vá. Era o fim de mais um ciclo, era a coroação de mais um ano do bloco da ema!

Marcelo Silva

Fim de noite do dia 05 de março de 2014
Resgatando o que a sanidade permitiu-me lembrar de tantas e tantas sensações daquele carrossel de emoções que ontem me tomou de assalto.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Menina Minha

Menina Minha

Eu te amo minha menina. Te amo como o vento que corteja a copa das arvores, te amo como o oleiro que molda o barro sem saber quem está moldando quem.

Eu amo você, sofrendo com a distancia como um exilado que pranteia a saudade do lar. Eu amo você menina minha, de uma forma tão forte que me falta o chão e o ar. No meu castelo sem terras, sem corte, sem paredes e sem teto eu sonho, e novamente sonho com teus cabelos, tua boca, teu corpo e tua mente. Esses sonhos poderiam ser realidade, mas essa infinda distancia e esse prazo sem fim me apavoram!

Tenho medo de morrer antes de te o privilégio e a honra de ser teu homem, teu marido e companheiro.


TE amo tanto que me consumo, me transformo em ruínas e assisto meu próprio cadáver passar pelo rio da vida e da margem, minha alma chora a falta que você me fez por toda a minha vida.

Parece que toda essa infelicidade que tomou minha vida pode terminar. EU acredito nisso, mas o universo gosta de me usar de piada quando o tema é minha felicidade.

Te quero corpo e alma, te desejo menina e mulher, te espero amor e paixão, te admiro sorriso e lagrimas, te pranteio saudades e lembranças.

Você me completa justamente onde eu me achava pleno. Você não caminha nas fantasias que sempre imaginei e nem campeia nas lembranças más que me perseguem.

Você me trás alento e refrigera minhas entranhas, elevando meu olhar para o horizonte desejando construir algo, CONTIGO!!!

Tenho vontade de deitar em coma profundo e só acordar quando pudermos estar juntos. De que adianta estar vivo se minha vida se vai dentro daquele ônibus e lá fica, na distancia?

Pra que acordar, se nos sonhos me lembro de teu cheiro, de tua risada tímida e de te corpo voluptuoso? E na volta pra realidade me encontro sozinho e frio. Sozinho mais uma vez, tomado pelas forças da nostálgica saudade de tudo que ainda não vivemos.

Qual a vantagem de lutar e viver, se sem você nada tem sabor? Você me leva o paladar, a visão e todos os meus sentidos. Você me mantém cativo de seu jeito de menina-mulher. E nesse cativeiro eu choro e com minhas lagrimas eu escrevo nas paredes:

"Marina eu te amo"

Mas você não pode ler, ainda não.

E na espera de que uma dia essa espera termine, vou fenecendo aos poucos, sentindo que cada momento longe de você é uma vida a menos no longo rosário de existências que quero viver ao teu lado.

EU amo...
EU amo com a força dos sentimentos, e com a certeza da vida.

EU sinto...
EU sinto tua presença em meus planos futuros, passados e presentes...

EU desejo...
EU desejo teu corpo, teu sexo, teus carinhos e beijos. Desejo ser teu, unicamente teu.

EU quero...
EU quero tua alegria e tua tristeza, quero tua saúde e convalescência, quero nossa riqueza e nossa pobreza, quero nossa vida e tudo mais o que vier.

EU preciso...
EU preciso velar teu sono em meu colo, preciso acordar do teu lado, preciso saber que estou vivo e acordado, descobrir que você não é um sonho, e sim a realidade que sempre sonhei.

EU amo é você minha menina Marina.

EU sinto você e não abro mão desse sentimento.

EU desejo você, por dentro e por fora, mordendo teu pescoço e cheirando tua nuca . EU desejo nossas bocas em nossas bocas, em nosso sexo ; em uníssonos gritos e gemidos de tesão. EU desejo teus sucos íntimos em minha garganta seca de sede de você. EU desejo invadir tuas carnes e fazer de teu corpo o berço do renascimento de minha alma. EU desejo que meu colo, após teu gozo, se transforme no leito, e que de leito vire trono e desse trono minha princesa, você domine minha alma, tome o meu ser e resgate o menino engolido pela fera em que transformei.

EU quero você, quero você comigo. Quero teu corpo, teu útero e seus frutos. Quero te tomar de assalto, quero querer mais e mais. Quero querer menos e menos; quero aprender a querer certo. Quero ser melhor para você.

EU preciso de você, preciso dizer que te amo, preciso de você no amanhecer para me inspirar, preciso de você no meu dia para sentir o sabor da felicidade, EU preciso de você nas minhas noites, pois preciso de tua respiração febril de tesão e serena de paz, para adormecermos o sono dos que se amam. EU preciso de você, pois és o ar vital para minha vida.

EU te amo Marina, e sinto isso no meu desejo de querer precisar estar perto de nós dois

Marcelo silva
28 de dezembro, sábado
Onze e oito da manhã
Esperando, sempre esperando...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Pesadelo

PESADELO

São 3 e 25, uma madrugada até fresca se pensar nos dias sufocantes e quentes em que estou vivendo. A TV da sala ainda vomita a estória de pessoas dementes que se transformaram em assassinos em série e predadores sexuais. Eu acordei suado e assustado, deitado no sofá da sala. Um estranho sonho ou pesadelo me colocou em estado de alerta e afastou o sono por completo.

Me lembro de outra oportunidade onde minha mente foi posta em estado medo e apreensão, eu ainda era muito, muito jovem. E também acordei em casa na madrugada e sozinho.não me lembro bem o porque de estar sozinho na casa de minha família (Engraçado, não falei MINHA CASA, e sim a casa da minha família), ou talvez não estivesse realmente sozinho, mas fiquei sentado na cozinha abraçando os joelhos e rememorando os fatos oníricos que me assombraram o sono.


Realmente é uma coisa interessante não me lembrar se estava mesmo sozinho, ou se apenas me sentia tão só na época que preferi ficar sozinho no chão frio da cozinha esperando que o dia viesse me trazer a luz que afastaria as reminiscências do pesadelo tétrico que me tomou de assalto. É tão estranho que neste momento estou querendo ir no quarto para ver se a Márcia está dormindo lá, para saber se talvez a Sabrina esteja lá agora, ou a Letícia, ou o “passarinho”, ou a “Bruxinha” ou mesmo a “Princesa”. Foram tantas, são tantas; quantas ainda serão?

Era tão frio o piso da cozinha, era tão assustadora a escuridão e tão solitária minha vida reclusa. Não entendo o porque de afastar a tudo e a todos. Talvez no fundo de minha inconsciência eu saiba do quão tóxico eu seja, talvez eu pressinta a maldita sina psicótica e genética que me faz sempre magoar as pessoas. As vezes tenho medo de meu intimo ser tão frio quanto o piso daquela cozinha, tão escuro quanto aquela madrugada; e tão solitária como a minha vida sempre foi. Eis o medo maior: conseguir o que tanto desejei, ter o que tanto planejei, terminar meus dias sozinho e metade feliz por não magoar mais ninguém e metade infeliz por certificar-se sozinho.

Estranho sentir-se sozinho justamente no dia que o Jean Andrade veio me visitar trazendo tanta energia boa, me fazendo ir para a marcenaria e juntos produzirmos algo. Esquisito sentir assim justamente na primeira madrugada depois de um final de semana duplamente acompanhado e tão intenso. Na sala, um narrador do canal ID da Discovery fala sobre a vida de uma criança perturbada, solitária e esquisita, ele conta detalhes de sua trajetória até o dia em que um gatilho mental foi disparado e o mesmo entrou em surto psicótico permanente, tornando-se um demente frio, sensual, envolvente, manipulador e com uma infinda sede de maldade e morte. Melhor desligar a TV para pensar melhor.

O que somos alem de crianças em busca de aprovação? Creio que não passamos de seres com programações previas, com dispositivos de tempo cronometrados para um dia talvez sejamos vitimas de um disparo emocional que ativará um divisor de águas em nossas vidas. Ponho um cigarro na boca, faz nove meses que não acendo um deles e apenas os deixo num canto da boca. Mas hoje, neste momento; o sabor da nicotina parece me chamar mais forte. No meu ventre um animal se agita e rasga meu peito subindo até meu coração. Ele quer sair, em palavras ou lagrimas ou gritos ou ações irrefreáveis e inevitavelmente sem volta. São tantas e tantas formas, tenho tantos e tantos meios; existem dezenas de saídas, centenas de motivos; milhares de formas e métodos. Sinto tenazes em minha garganta, o meu reflexo no monitor desligado à minha direita me trás à realidade. Não sou aquele garoto assustado no chão frio da cozinha, sou um velho tarado e solitário, um vira-latas que ousou andar entre lobos e hoje assumiu a forma dos que o expulsaram da matilha.

Hoje sou um farrapo sem herança genética a deixar nessa vida, sem um lar com vida dentro; sem um colo próximo e leal que me aquiete. Sou um naufrago de minhas próprias tempestades, sou o farrapo da mortalha que eu mesmo costurei e com ela envolvi as coisas boas e as enterrei no quintal junto com meu cão, antes mesmo que ele nascesse. Isso vem de muito tempo.

O calor vai chegando, são 4 e 25 e o dia promete ser caustico. Gostaria de assistir a mais esse dia.

Tiro a camiseta de algodão e o resto do frescor do quarto me envolve o tórax, tenho vontade de sentir alguma coisa que não seja essa luta infinita entre dezenas de personagens que me controlam. As vezes queria apenas acabar com essa dor multi-polar, mas para isso teria que acabar com minha vida.

Não, ainda não...

Talvez atrás de alguma dessas portas eu encontre o quarto alcochoado de um hospício quente e confortável que vai me tratar até o fim de meus dias. Talvez um dia em encontre a chave certa da porta errada, ou a chave errada da porta certa. Não sei bem. Apenas queria uma saída satisfatória a todos. Mais uma vez sinto-me a criança em busca de aprovação e o preço dessa aprovação é mudar-me, é ser outra pessoa com outras roupas, com outros cheiros, com outros idéias e planos e ambições. Outro personagem sem animais dentro de mim ou dentro de minha casa, sem fúria, sem as marcas que ainda restam de meu caráter real. Talvez seja essa a finitude da vida? Talvez esse seja o graal da busca humana? Mudar de personalidade em busca de aprovação? Em busca de companhia? Em busca de algo que nem mesmo sabemos do que se trata?

Aí um belo dia acordamos e descobrimos que não somos o que nos transformamos e passamos a odiar nossa vida e a não mais amar quem nos transformou. Talvez no meio de uma tarde nublada, revirando velhas caixas com antigos sinais e escritos, no meio de tanto passado nos descobrimos que não somos o que somos e percebemos tarde demais o tempo perdido.

Aí então olhamos para trás e descobrimos que muitas pessoas, coisas e estórias foram envolvidas no processo, e qualquer forma de atitude, mudança, saída ou desistência acarretará em mais e mais dores. Quantas dores mais ainda terei que viver, sentir e causar?

Por um momento, senti saudades daquela madrugada fria, daquela cozinha escura; daquele menino assustado que tinha toda uma vida pela frente. Mas foi apenas por um breve momento. Aquela forma de vida que fui foi um fracasso, um perdedor que não conseguiu nada e tudo que restou foram traumas, expurgos, troças e humilhações. Naqueles dias eu só era feliz em breves momentos com poucas pessoas. Naqueles dias eu era um estorvo, algo invisível que não fedia nem cheirava, que não tecia nem fiava; que pouca diferença fazia para muitos.

Lembrar de “tanta felicidade” me sufocou e abro a janela, dando de cara com as rosas vermelhas de meu jardim, uma viatura passa apressada com suas luzes iluminando minha calçada e meu rosto. Mas minha alma e meu peito estão escuros ainda.

Eu viajei para minha terra em busca de não sei bem o que. Eu queria falar tantas coisas para tantas pessoas. Mas algumas não quiseram me escutar, e outras que escutaram distorceram tudo e meu desabafo virou um crime, e minha busca por apoio bateu num muro frio egoísta e não obtive nada quente, apenas reações frias e mornas. E então eu tive que escolher entre matar ou morrer, entre seguir em frente sozinho ou chafurdar na lama suja da auto-piedade. Como odeio a auto-piedade! Pessoas que vivem se lamentando e se comparando a outras me irritam. Muita coisa me irrita ultimamente.

Porque me machucar? Simples: para sentir algo real! Para sentir uma dor, alguma emoção que seja real e que seja durável. Por que machuco as pessoas? Talvez apenas para esperar que o universo me puna e me castigue e assim eu poder sentir alguma coisa.

Gostaria de acreditar que nunca é tarde. Queria que essa quimera chamada felicidade fosse real. Deve ser alentador acreditar que em algum lugar existem pessoas que poderiam juntas comigo erguer algo belo e bonito. Mas...
“É complicado”
“Tem um preço”
“ainda não dá”
“existem mudanças a serem feitas”
“não consigo lidar com isso”

As paredes parecem que estão se fechando, de repente esse quarto ficou menor... Estou sentindo-me claustrofóbico !!!

Abro o cinto e os botões da calça, tiro os pés de dentro das sandálias e me afasto um pouco da mesa. Não adianta, essa angustia não passa, esse sentimento de solidão não cessa. Dentro de mim o animal se agiganta, ele quer sair na noite da vida e nunca mais voltar. Sumir na face da terra e viver errante como um holandês voador, como um degredado em sua própria terra. Dentro de meu peito se arma uma tempestade cataclísmica, uma tormenta épica que me impele a fugir de novo, a me esconder de todos.

Talvez morrer seja apenas voltar para casa. Talvez envelhecer e ver pessoas queridas adoecerem e morrer seja um impulso para que criemos coragem e pulemos nesse abismo negro e sem fundo. Talvez eu esteja certo e talvez esteja errado... ou ambos!

Engraçado como é que é estupidamente egoísta reclamar de tantas e tantas coisas. Quando me lembro de meu primeiro casamento onde não me foi pedido mudanças, onde era amado e tinha um lar. E por puro egoísmo e soberba joguei para o alto. Talvez, do alto de minha empáfia eu achasse que teria tantas chances quisesse para ser feliz. Ledo engano. Fui condenado pelo tudo que fiz, pelo tudo que não fiz, pelo que foi e pelo que poderia ter sido. Agora resta-me apenas a colher os frutos amargos de minhas escolhas. Afinal: sou eu o juiz de minha vida, sou eu o Deus todo poderoso capaz de definir quais caminhos a trilhar e que rumos devo seguir. E foram minhas escolhas que me colocaram onde estou agora.

Há!!!! Mas pessoas gostam de mim!!!

E onde estão elas agora? Neste exato momento? Será que devo ir no quarto e ver se tem alguém lá dormindo? Creio que não.

Gostaria de saber para que lado olhar, para que cidade seguir; para que país migrar e lá encontrar quem me cure dessa dor chamada vida. Queria encontrar quem me olhasse por inteiro sem querer mudanças, sem preços ou complicações. Sem distancias e sem infinitos intervalos entre encontros, beijos, abraços e orgasmos. Qual direção devo tomar? Qual rumo devo seguir Ó cabeça doentia dum caralho que só me fudeu até agora? E agora? O que te resta deus de merda, megalômano psicótico, pervertido sociopata e venenoso?

Hoje, as 3 e 25 da madrugada eu acordei de um pesadelo. Nele eu estava sozinho e com medo, era madrugada e eu estava sentado em uma cozinha fria e a escuridão reinava ao redor dela. Meu sexo estava ligado a uma tomada na parede, e era como se fosse uma corrente que me mantinha preso naquele lugar. Eu estava com medo, com muito medo. Mas não sabia do que. Me levantei e fui até uma porta próxima que dava para um quarto quente e iluminado, na cama forrada de lençóis vermelhos eu vi alguém por baixo de uma pequena coberta negra como a mais escura das noites sem estrelas e sem luar, uma coberta menor que uma colcha de solteiro. Eu tentava me aproxima mas o fio de meu sexo ligado á tomada me impedia. Então eu puxei e sangrando me aproximei da cama e vi que era minha mãe que estava embaixo do diminuto lençol negro como a morte. Em silencio me aproximei e entrei junto com ela na escuridão de nossos passos, no calor de nossos erros, no conforto de nossas manipulações e finalmente me vi liberto. Eu me desliguei do mundo real e assumi a loucura herdada e aceitei a herança de tantas e tantas coisas, tantas e tantas dores, tantos e tantos erros. Talvez eu não devesse lutar contra a loucura e a solidão. Talvez eu devesse esquecer os amores, os sonhos, as possibilidades. Talvez eu deva largar os últimos resquícios de sanidade e me entregar ao doce delírio da loucura e seguir o legado familiar dos psicóticos desse clã insano que me gerou.

Na minha mente martelam os versos de uma canção:

Moldura
Ortinho
Agora quase tudo foi embora,
E quem ficou sozinho aqui fui eu.
Olhando teu sorriso preso dentro da moldura
que chorando um dia desses você me deu.
Lá fora a madrugada é fria
E a cidade vazia sem ninguém.
As ruas solitárias piscam luzes coloridas
O chão reflete em mim o grito dessas avenidas,
Que dizem que você não vem,
Que você não voltas pra mais ninguém.
Que você não vem mais,
Que você não volta pra mais ninguém.


Marcelo Silva
17 de dezembro de 2013
05:28
Daqui a pouco os pássaros vão acordar, as pessoas vão iniciar seus dias. Aqui dentro desta casa tudo é silencio e frieza e solidão. Dentro de mim existe um abismo, dentro de mim e ao redor desse abismo moram centenas de “Marcelos” com idades, cores, tamanhos e caráter diferentes. Dentro de cada um deles tem um pedaço de mim, um pedaço real. Quais deles devo jogar dentro do abismo? Quais deles devo por para fora de mim e para fora desta casa? Quais deles irão sobrar?

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Luisa Ferreira"

Ha "Luisa Ferreira"... quem me dera ter seu centro e a maturidade que tens com tão tenra idade.

Amore mio, pequenino anjo que me acolheu quando eu tanto precisava.

mesmo se esse planetinha de merda terminasse hoje, pelos incontáveis séculos da eternidade, minha alma ainda escutaria o eco de tuas palavras minha doce menina.
Você nao precisa interagir para transformar onde quer que você esteja, num lugar melhor.

Pessoas como você não merecem estar no meio dessa escumalha vil e vilipendiosa.
Meninas educadas de seu calibre não deveriam pisar nessa lama fétida que é a frequencia deste pleneta.


Damas reais e plenas, como predestinada és a ser quando idade para isso tiveres, não deveriam macular-se no meio de tanta falsidade.

E digo mais: espíritos iluminados como você não deveria perder tanto tempo com seres baixos, reles e atraidores de falsidade. você não deveria perder seu tempo lindo, pleno e alegre com poços de mágoa e traumas feito eu sou.

Ha menina... por séculos sem fim meus átomos vagaram pelas ondas cósmicas até que aqui se juntaram e formaram esse monte de carne podre que sou, esse pasto de vermes que agora te escreve.

Por tantos milhares de ano-luz minha memória ancestral foi sendo formada e, Ô Gloria!!! foi agraciada com nossa interação. O pouco tempo que vivemos juntos terá sido suficiente para iluminar vários e tantos recônditos de minha alma sôfrega, Falha; Inútil.

Mil existencias seriam necessários para poder sintetizar em palavras a grandeza de teu coração, a paz de teu espírito, a beleza de teu sorrriso, assim como todo o conjunto da divina obra que és.

Um dia menina, teremos a resposta para esse desencontro de almas, para essa distancia infinda; para essa impossibilidade terrena.

Até lá me resta aproveitar-se de você e de toda a energia boa que eu tal qual um morcego repugnante te sugo.

Até lá resta-me envelhecer e colher todas as resultantes de todas as escolhas feitas, plantadas e sacramentadas no tempo ido que já não volta mais.

Teu colo, teu olhar; teus carinhos...

Que mister!

Ainda hoje sinto a ponta de teus dedos em minhas maos e pulsos. até hoje me lembro de teu pescoço ornado com as tranças que de tua boca partiram e que através de minhas mãos já marcadas pelo tempo, nasceu sob teu olhar curioso.

E com tudo isso, e com toda essa carga plenipotencial, termino essas mal traçadas linhas nascidas no meio da angustia desse aremedo de poeta, dessa estagnada alma romãntica, retalho do que poderia ter sido e nunca será.

Termino apenas te falando o quanto fostes, és e serás especial por todos os dias que ainda me derem para caminhar sobre esse solo que clama por me engulir, deglutir. E assim voltando ao ventre atômico que me gerou, talvez outra existencia se desdobre, se descortine trazendo uma nova chance de nos encontrarmos novamente.

em tempo:

Marcelo Silva - Pernambucano de Caruaru, exilado de mim mesmo em Piracicaba-SP. Abandonei covardemente raízes, alicerces, família, esposa e filhos na busca fútil POR NADA. Hoje sou um arbusto seco, estéril e solitário neste deserto sem vida poética chamado sul-maravilha. De tantas experiências, de tantos aprendizados, de tantos caminhos e escolhas pela vida afora, hoje nem sei mais quem eu sou. Sei apenas quem eu fui e o que poderia ter sido quando joguei tudo fora, esquecendo de princípios básicos e freios humanos e morais. Filosofia? Só se for com utilidade... Amigos? Só se for para sempre... Trabalho? Só se for AGORA... Amor? Só se for todo dia... Tenho deixado marcas pelas trilhas da vida, porém nem todas belas; aliás: a maioria delas são bem negras. Mas até as pedras se movem, e a vida muda; e nesse mudar alguns falam que mudei... Não sei! estou dentro de mim mesmo, não me enxergo de fora. Eu sou a flor da urtiga, atrativo e perfumado (ironicamente venenoso). Minhas sementes eu lanço nas pedras, são difíceis de morrer (esquecer). Meus galhos se entrelaçam na vegetação próxima, defino (manipulo) os caminhos alheios. Em minhas raízes está o segredo de todo o meu restante.

Piracicaba, 29 de novembro de 2013
Percebendo que as coisas passam e o momento se perde. Tomando para mim a ciencia do fato de que não é que o universo me queira infeliz, ele apenas protege pessoas boas contra meu amor tóxico.

sábado, 23 de novembro de 2013

Grecco

Olá...

Permita-me invadir teu espaço.

Mas...

Observo em ti, uma angustiada alma em busca de algo importante.
Percebo nas tuas linhas, o visgo perigoso da desilusão.

Não tenho elementos ou intimidade para analisar teus passos, mas como esteta e romântico incurável que sou, me sinto na obrigação fraterna de te falar:

Ergue teus olhos e fita o horizonte, mas não esse horizonte que a maioria se permite enxergar, vislumbra AQUELE horizonte que só os que ousam sabem que existe.

Semi-cerra teus olhos para melhor fitar através da névoa e dos véus que tentam obliterar tua certeira carreira em direção aos teus alvos.


Sorria, com o canto da boca, de forma cínica e insinuante. Para que os que te vigiam nas sombras se assustem e se apercebam que não estás aqui nesse planeta para brincadeiras.

Abre os braços e olha pro céu, é lá de onde viemos. Somos filhos das estrelas, formados pelos mesmos átomos que a tudo formam. Somos o que podemos ser quando queremos ser.

Nosso corpo nada mais é que um meio, um veículo para movermos nossa mente nesse plano. E sendo NOSSO veículo, temos o arbítrio liberto de escolhermos nossas variações, parâmetros e formas de interagirmos com o mundo, com as pessoas e principalmente: com nós mesmos.

Espero que de alguma forma, minha palavras tenha feito desse sábado chuvoso (Onde a água lava as ruas e o barulho gostoso no telhado nos trás uma nostálgica sensação de aconchego.), um dia um pouco melhor para você.

Você é Lind@ , filh@ das estrelas e herdeir@ de todas as boas energias que nos interpenetram e nos fazem introjetar nossas energias uns nos outros.

Fica bem...

Marcelo Silva

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Está chovendo

Está chovendo.
Pingos grossos...
Espero que lave a poeira das ruas,
E a lama dos sentimentos,
E a dor das magoas.

Esta chovendo.
Como se milhares de colírios gotejassem para tentar lavar a visão imperfeita deste mundinho.

Chove... Com cheiro de terra molhada.
Chove e me entristece, como sempre a chuva faz questão de fazer.
Minhas roseiras ficaram felizes...
Meus cães molhados...
E eu continuarei aqui, apenas eu e a sorte,
Ou azar, se mudar o ponto de vista...


Nada trás de volta o que passou.
Nada trás de volta o que não aconteceu.
Nada pode ser chamado de nada, pois talvez o nada nao exista.
Seja apenas mais uma palavra criada sem nenhum propósito.
Assim como tantas outras.

Chove lá fora.
O calor aumentou.
O cheiro da úmida terra e o barulho dos carros na chuva me levam embora.
Tantas promessas...
Tantos erros...
Tantos sonhos desfeitos...

E mais uma vez eu observo minha face fria e indiferente.
Couraças de desamor,
Armaduras de lagrimas,
Escudos de desilusões.

Tudo isso e mesmo assim ainda me deixo atingir por promessas,
Por sonhos.
Por insanos sonhos precipitados.

Ha...
Quisera ser burro, nao sofreria tanto...
Mas eis que essa vida me deu essa inteligência, essa sagacidade para perceber as entrelinhas e mesmo assim atirar-me às promessas alheias como se fossem minhas.

Como se fosse possível moldar-me?
Ou moldar ao outro?

Chove lá fora e aqui dentro meus olhos marejam
Chove lá fora e lá longe, onde agora caminha a dona das promessas, tudo continua como antes.

Chove e a chuva lava as ruas, mas nao lava minha alma.
Nao leva embora o rancor e a desilusão.

Chove e de tanto chover e nao me lavar, esqueço-me de tudo que um dia foi, do que é; e do que poderia ser.
Rei morto, rei posto... A vida segue, inexoravelmente em direção ao alvo que nao conhecemos.

De onde será que vem tantas e tantas idéias e sonhos?
Nao sei.
Só sei que chove lá fora.
E aqui dentro o calor de um abraço é inexistente.
Enquanto chove lá fora, meu peito arde em desejo, solidão e angustia.

Chove lá fora e a inconseqüente menina se vai.
Vai embora em busca de viver sabe-se lá o que.
Apenas espera-se que ela cresça e descubra o que é ser o que se é.

Marcelo silva
20 de novembro de 2013
Chove lá fora, e aqui... Aqui dentro continua a mesma coisa

Cesar Teles... Amigo, Irmão; e luz...

Hoje sonhei contigo...
Estavas tão bem!
Te abracei, beijei tua testa e em troca recebi teu sorriso que tantas e tantas vezes me levantou, me alegrou e me punha feliz.
É uma pena que tantas pessoas passam por esse mundo sem deixar nenhuma marca, ou pior: deixando marcas sujas e malvadas.
Você deixou marcas boas, alegres, confiantes e principalmente:
Marcas de CARÁTER e HONRADEZ!
Teu sorriso, ora cínico e ora moleque, talvez vá se perdendo aos poucos nas esquinas da memória alheia, mas creio piamente que de minhas retinas não sairás. Teu cômico olhar de desprezo com o que te desagradava era um balsamo para mim.

Poucas amizades eu fiz de forma tão quente e acolhedora, pois voc~e me acolheu como amigo e irmão, nossas madrugadas regadas a vinho e cigarros eram especiais para mim e sentia que você saia revigorado de minha casa.
É uma pena que tenhamos que enxergar o fim como um fim em si mesmo, quando na verdade estamos apenas de passagem por esse mundinho fútil, carnal e preconceituoso que tanto você fez questão de torná-lo melhor.
Que pena que não tenhamos o entendimento correto de que nosso corpo é apenas um estorvo, uma bagagem que deixamos aqui para que a mãe terra possa reaproveitá-lo.
Mas de qualquer forma, fica minha ode a você, figura de mil faces, artista de mil performances, homem de mil qualidades e amigo de todas as horas.
Daqui nada levarás pois no paraíso não existem bagagens, mas saiba que deixastes não um vazio, e sim um grande e maravilhoso exemplo de vida. Aqui deixastes lições a serem aprendidas e repassadas, boas e más, tristes e cômicas.
Obrigado amigo...
Obrigado pelo tudo que tu fostes e pelo nada que pedistes em troca...
Obrigado por ter vindo se despedir de mim em sonho...
Obrigado pelas infindas madrugadas onde cuidavas de mim...
Obrigado pela eterna gentileza de sempre parar á minha porta para nos cumprimentarmos...
Obrigado por me permitir fazer parte de teu mundo e assim poder ter o privilégio e a honra de te poder te chamar e ser chamado por você de AMIGO!!!

Marcelo Silva
20 de novembro de 2013
Feriado, dia morno; madrugada de júbilo e alegria por saber que alguém tão especial já se desliga desse planetinha terrível, fedido e que nada mais é que um vale de lágrimas.

Ave atque Vale*
(Olá e Adeus)

Por muitos países e através de muitos mares
Eu vim, irmão, para estes ritos tristes,
Para prestar esta última honra aos mortos,
e falar (com que propósito?) para suas cinzas silentes,
Agora o destino o tomou, até mesmo você, de mim.
Oh, irmão, arrancado de mim de forma tão cruel,
Agora pelo menos leve estas últimas oferendas, abençoadas
pelas tradições dos nossos pais, dádivas aos mortos.
Aceite, o que por costume, as lágrimas de um irmão representam,
e, pela eternidade, irmão "Ave atque Vale".
gaius valerius catullus

domingo, 6 de outubro de 2013

Hoje lembrei de você...



Hoje lembrei de você...
Como me lembro todos os dias...
Lembrei de você chorando procurando a aliança que havia enterrado no vaso de plantas.
Foi umas das lembranças mais tristes que pude buscar na memória.
Não apenas pelas lagrimas em si, mas pelo que elas representavam. Pelo fim, pela perda, pela total e completa falta de capacidade de ambos de se harmonizarem.
De repente também lembrei de minha reação no momento. Frio, distante, reativo e absorto num mundo de planos desfeitos, amores quebrados, vidas partidas e sonhos assassinados.
Naquele momento não tinha um músculo batendo no peito, apenas uma pedra fria e pesada, apenas residia ali um tumor maligno, enraizado pela mente e retro-alimentado por tantas e tantas angustias sexuais que eu ainda não sabia de onde vinham.
É... Naquele momento, mesmo estando tão frio e distante, minha mente conseguiu guardar teu pranto, tua dor e teu desespero.

E hoje lembrando daquilo, o músculo cardíaco se transformou em espinhos e uma lacerante dor tomou conta de mim.
O sol da manhã ainda tentava aquecer a relva do quintal, a brisa fresca do domingo de repente soprou minha vida para alguns metros de mim e pude ser espectador ao invés de protagonista.
Baixei meus olhos em direção ao chão. Com o peso de tantas e tantas cagadas era difícil manter-se ereto e digno.
Me sentei na relva gelada e os cães vieram ao meu encontro, sem fazer festa e cabisbaixos. Rabo entre as pernas e orelhas baixas.
Lamberam meus braços e deitaram-se ao meu lado, como se compreendessem o peso da epifania que me tomava de assalto.
E tendo os dois como testemunhas, e tendo o sol como inspiração, e tendo minha vida como exemplo de tudo de errado que alguém possa fazer, e tendo meu futuro como uma página já cheias de rascunhos de coisas que ainda vou ter que prestar contas, prometi a mim mesmo que faria de tudo nessa e noutras vidas para que nunca mais você tenha que sofrer tanto novamente.
Naquele momento percebi que estamos intimamente ligados por algo maior que amor, que sexo ou amizade.
Não é algo DESTA vida.
É de OUTRAS vidas!
Não era para ser nesta vida, mas o que foi, foi sincero e perfeito em certos aspectos.
Então é isso minha cara futura ex-gordinha fitness...
Eu sei que é provável que nossos caminhos em breve se afastem. Que a proximidade é breve e momentânea. Mas espero que eu tenha conseguido construir pontes para o sempre.
Espero que minha eterna luta para que não nos perdêssemos, para que resolvêssemos nosso encontro NESTA vida tenha conseguido alicerçar pelo menos os projetos destas pontes para o sempre, para que na próxima morada, para que na próxima vida; possamos descobrir o que tanto nos atrai, o que tanto nos repele, o que tanto nos faz amar e odiar um ao outro.
Essa jornada atual agora está mais próxima de terminar em separação física, geográfica, quilométrica....
Mas me promete que no fundo do seu coração, você vai guardar um centímetro dos quilômetros que foram nossa estória.
Para que quando nos encontrarmos novamente em outro plano, possamos nos reconhecer, possamos abrir um largo sorriso e compreender tudo o que hoje nos dói ainda, o que a nós não é ainda possível entender.
"...E quando nos encontramos, meu grande amor, me reconheça..."
Beijos enormes de grandes no seu coração.
E por favor, seja MUITO feliz com quem quer que seja. Minha eterna sina de infelicidade não pode e nem vai obliterar a tua paz e felicidade.

Marcelo Silva
06 de outubro de 2013
Domingo lindo, um bom dia para jogar fora coisas velhas, pintar paredes encardidas e planejar o embarque num bonde que me leve para bem distante, para que nunca mais eu faça sofrer quem nunca mereceu sofrer.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Agonia

Agonia

A noite vai passando, soltando suas negras vestes pela face do céu. Escuto os sons da penumbra e aperto meu peito em firme agonia. Sinto as passadas pesadas e profundas da angustia fria a me cercar aos poucos. Ela vem de uma longa linhagem de uma pessoa só, ela é quem acorda as feras e liberta as bestas de dentro de cada um.

Ela trás a força das marés, o poder das tormentas; a fúria dos elementos! E tudo isso para arrebentar as defesas de meu peito, tudo isso para minar as barreiras de meus sentimentos; tudo isso para a sangria inevitável.


Nem todas as minhas couraças, nem toda a armadura fria e obscura de minha cara-de-pau, nem mesmo a brutalidade inata desde a sola dos meus pés até o alto de minha cabeça são capazes de fornecer a estrutura que a represa de meus olhos necessitam. Tenazes de caranguejos estrangulam meu coração criando uma angustia que me envolve e enfia meus pensamentos no fundo do inferno da minha alma.

Relembro de fatos, de fotos, de atos e de casos. Me vem a memória as dores e as alegrias. Sou tomado de assalto, sou alvejado e minado; sou dominado.

E neste momento sou tomado pelas primeiras lagrimas deste triste capitulo.

Marcelo Silva
23 de abril de 2011
Dor, magoa e lagrimas




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pedalando

Pedalando...

Sabe aqueles momentos interessantes que as vezes não damos atenção, mas nos fazem sentir-se vivos? Esse foi um deles:

Fim de tarde fresca em Piracicaba-SP, A noite já espalhava seu véu pelas ruas. E eu de bike, estava no meio da dolorosa subida da avenida Dr. Paulo de Moraes, minhas pernas tomadas pelas marcas dos 43 anos doíam a cada pedalada que pouco venciam mais de alguns centímetros. O coração saltava à boca e a musica nos meus fones não ajudava na cadencia que eu precisava. Caetano Veloso delicadamente vertia “você é linda” e o suor começava a escorrer em filetes de meu rosto, tórax e braços. Não podia parar para mudar a musica, se parasse eu não conseguiria continuar pedalando até o topo da ladeira. E eu tinha colocado esse limite.

A cada pedalada em direção ao topo, meus pulmões pareciam que iam explodir, minha boca seca e a dor nas articulações faziam da subida uma tortura. Finalmente o topo! Guinei para a esquerda e peguei a enorme descida da Rua Alferes José Caetano que àquela hora estava livre e desimpedida, eu consegui ver quilômetros à frente, sem nenhum transito.


De repente Caetano se cala e Ortinho entra rasgando em meus tímpanos com sua maravilhosa voz de “bode rouco”, com sua bela musicalidade e seus metais a espalhar “Com saudades do mundo” pelas ruas centrais desertas. A bike já adquiria sua velocidade máxima, mas ainda assim em tentava impelir mais força nos pedais. De repente o mundo se abriu na minha frente, abri os braços e deixei ser levado pela velocidade, sentindo o vento no meu rosto e no meu peito. Com os braços abertos eu parecia voar pelo asfalto. Eu estava com saudades do mundo MESMO!

As pessoas nas calçadas não entendiam o louco que descia a ladeira gritando a letra da música a plenos pulmões. No cruzamento com a Rua 15 de novembro, uma grata surpresa. O celular aleatoriamente, sem programação prévia, escolheu outra ótima musica. E comecei a berrar “Herói trancado” pelo resto da rua, numa velocidade mágica onde as luzes passavam voando pelo canto dos olhos. As prostitutas que começavam suas rondas acenavam e brincavam com o enlouquecido que gritava, horrivelmente desafinado: “Condenado eu sei. Condenado pelo que você me fez. Condenado e não tão culpado.Deixe suas penas que sou eu que pago”

Só no final da rua é que me apercebi que passei por todos os semáforos sem prestar atenção se estavam abertos ou fechados. Guinei para a direita, derrapando de leve a roda traseira na areia que a chuva de dias anteriores trouxera desde o inicio da ladeira. Atravessei a Avenida Armando Salles por cima e suavemente entrei na Saldanha Marinho, em êxtase, ofegante e com uma sensação de tranqüilidade absurdamente eufórica.

Parei e tomei toda a minha garrafinha de água, procurei “Pense duas vezes antes de esquecer” e sai caminhando e empurrando a bicicleta na ultima subida antes de minha casa.

Coisa simples e besta? pode ser, mas são dessas coisas simples que é feita a vida.

Boa semana para todos!

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Saudades do Mundo
Ortinho

Hoje eu acordei com saudades do mundo
Com vontade de querer correr
De dar uma volta ao redor de tudo
Os caminhos se abriram, o meu corpo fechou
Vou abrir cortinas com o meu vento
Sou cavalo com asas cavalgando as almas perdidas no submundo do tempo
Com saudades do mundo
Hoje eu acordei com saudades do mundo
Com saudades do mundo
Hoje eu acordei com saudades do mundo
http://letras.mus.br/ortinho/1803376/
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Herói Trancado
Ortinho

Fiquei trancado do lado de fora
Deixando você livre para eu ir embora
Agora vou aproveitar a minha vida preso pelo mundo afora
Não tô a fim de receber visitas
Tô me sentindo livre feito um turista
Tem muita gente que divide esse mundo comigo
Alguns até são meus amigos
Espero com sinceridade que estejas bem
Que tenha ocupado meu lugar com outro alguém
Que a sua casa esteja alegre e colorida
Fui condenado a viver sem você o resto da minha vida
Condenado eu sei
Condenado pelo que você me fez
Condenado e não tão culpado
Deixe suas penas que sou eu que pago.
http://letras.mus.br/ortinho/1862707/
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Pense Duas Vezes Antes de Esquecer
Ortinho

Já te dei a senha do meu segredo
Já te dei a chave do meu coração
Minha digital impressa no seu dedo
Todos os meus beijos para seu batom
Nossos pés pisaram as mesmas pegadas
Seus cabelos encaracolaram os meus
Tantos fins de tardes, tantas madrugadas
Não me deixe nunca pelo amor de deus
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você
Já senti saudades
Já senti ciúmes
Já te dei motivo pra perder a razão
Desse mal a gente nunca fica imune
Nunca demos chance pra desilusão
Nossos olhos viram as mesmas miragens
Os acasos se armaram pra nós dois
Todas as risadas todas as bobagens
Eu não tenho medo do que vem depois
Pense duas vezes antes de esquecer
O que aconteceu entre eu e você
http://letras.mus.br/ortinho/1873659/

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Presente

Presente

Tu chegas e te aguardo sentado na cadeira de frente para a cama. Ordeno que tires a roupa e você obedece reclamando do tamanho da calcinha e eu te lembro que quem tem que gostar ou reclamar sou eu. Mando que você se mantenha calada.

Apenas de lingery vermelha, você se ajoelha na minha frente e fica a espera de minhas ordens. Ordeno que vás ate a mesinha e da gaveta traga seu presente, você volta com uma coleira de couro preto com uma guia curta, também de couro negro. Mando você erguer os cabelos e ponho a coleira. Passo a guia próximo ao teu rosto, acariciando tua pelo com o couro forte e escuro. Você se excita cada vez mais.


Vou até a janela e de lá trago uma venda, ponho nos teus olhos e com uma gravata minha, eu ato teus pulsos atrás das tuas costas. Você respira pausadamente e num misto de confiança e medo, fica imóvel a espera de minhas ordens. Vou para trás de você e beijando seu pescoço pergunto se é verdade que você tem sido uma menina-má e você confirma com a voz profunda a denunciar seu prazer.

Ordeno que abras a boca e amordaço você, te deitando de lado na cama. Abro a gaveta e pego um objeto de madeira que eu fiz na minha marcenaria: uma palmatória de peroba-rosa. Saio passando o objeto em sua pele, nas penas, na sua bunda, no seu rosto e noto que você respira mais fundo sem identificar do que se trata. Ponho na sua mão e ao descobrir o que é,você se estremece e larga.

Passo a palmatória em sua bunda e vejo você se encolher esperando o golpe, dou um de leve e você da um gritinho, mais de susto que de dor. Então eu aplico um golpe forte e seco que estala e ecoa no quarto, agora seu grito é de dor. Você não relaxa na primeira, nem na segunda ou na terceira vez, mas logo começa a se encolher a cada golpe e depois empinar-se em direção da palmatória, em busca de mais dor e prazer.

Você se comporta, e como prêmio eu retiro sua mordaça e sua calcinha. Abro tuas pernas e me posiciono entre elas e passo a ponta de meu corpo por entre os lábios de tua intimidade te fazendo jogar o corpo para trás tentando me ter dentro de você. Eu não permito e me deito sobre você, sobre suas costas, e mando você pedir e implorar para que eu te penetre, você geme e pede, e eu me coloco de uma só vez dentro de você, que de tão molhada já umidifica o lençol da cama. Você se arqueia, rebola, e me recebe a te alargar tuas entranhas.

Ficamos nessa luta por alguns minutos e por se comportar bem, eu libero suas mãos, deixando você apenas de sutien e venda.

Te coloco de lado e me posiciono entre tuas pernas e mantendo tua perna esquerda apontando para o alto, entro o máximo possível dentro de você, estoco fundo, sinto o limite de teu corpo se expandir para me receber. Retiro tua venda e te golpeio furiosamente ate você não agüentar mais e pedir para me cavalgar.

Me deito e te espero, e ordeno que tire a ultima peça de roupa, você se encaixa em mim e começa a cavalgar-me, primeiro com cadencia, depois com amor, depois com fúria e finalmente com gozo! Mesmo tendo gozado você fica rebolando os quadris e de alguma forma, através de alguma magia que até hoje desconheço, tuas carnes me mastigam enquanto você rebola no meu colo. Perco o controle e começo a sentir o emplastro de prazer se formar entre minhas pernas. Mas... Algo atrapalha e paramos no meio de meu prazer.

Retomo a ação te pondo a cavalgar-me novamente, só que desta vez tua sela é minha boca. Sinto teu peso a introjetar teus cheiros e líquidos em meu focinho. Mexo em meu corpo e rapidamente explodo em esperma e gemidos onde teu nome é chamado e repetido.

Você se espanta com a quantidade que jorro e me beijando-me delicadamente, se levanta. Você veste na frente do espelho e eu vejo sua bunda com uma enorme e deliciosa mancha rocha, resultado do castigo doce que recebeu de mim, seu amo e senhor.

Gostar

Gostar...

Gosto de te falar sem palavras, apenas com um olhar.

Gosto quando estremeces com meus olhos famintos em você.

Gosto quando me obedeces até na sua respiração.

Gosto quando ponho tua coleira e você ergue os cabelos e fica de cabeça baixa esperando que eu te prenda e te puxe pela guia sempre curta.


Gosto que já tenhamos começado a construir nossa própria liturgia, sempre iniciando com você de joelhos.

Gosto de tua doce entrega minha menina.

Gosto quando responde à palmatória apenas com gemidos e contorções, sem nunca reclamar.

Gosto de tuas lágrimas de dor, prazer, amor, gozo e descoberta.

Gosto de saber que te subjugo apenas com uma ordem verbal.

Gosto de sentir o cheiro de tua excitação misturado com o doce odor do teu medo.

Gosto do medo em tua voz quando falo que vou deixar tuas nádegas vermelhas de tanto castigo.

Gosto do tesão em tua voz quando falo que vou deixar tuas nádegas vermelhas de tanto castigo.

Gosto de te calar e te aquietar apenas com um olhar e com o gesto de levar o indicador aos meus lábios e te ordenar “calada!”

Gosto de te recompensar com prazer, cuidados, mimos, massagens e atenção, após te fustigar a pele, os músculos, a carne, os cabelos e a alma.

Gosto de poder virar num monstro insano quando estás longe de mim.

Gosto do caminho que minha língua percorre até chegar nas tuas cavidades mais profundas e inacessíveis.

Gosto dos teus gritos de prazer.

Gosto de te amordaçar e tirar o teu direito aos gritos de prazer.

Gosto de tua obediência em se despir para mim.

Gosto de tua revolta em me desobedecer, pois atiça minha imaginação que começa a pensar em uma deliciosa forma de te doutrinar.

Gosto da saliva escorrendo de seus lábios, depois que tentas em vão me conter dentro de tua boca.

Gosto de tua cara de animal assustado quando aprontas e te pego no flagra.

Gosto de te recompensar com as cavalgadas que executas em meu corpo.

Gosto de fazer gozar sem que precises se tocar.

Gosto de controlar teus passos, tua vida, teu corpo e tua alma.

Gosto de te proteger, SEMPRE! Até de si mesma.

Gosto de saber que és minha! Minha mulher, minha amante, minha amiga, minha submissa, minha propriedade!

Gosto de sua confiança em meus atos e jogos.

Gosto de seu olhar sempre a esperar algo exótico saído de minha mente.

Gosto de olhar tua jugular a pulsar acelerada quando me aproximo silenciosamente de você, acelerando seu coração.

Gosto de ver teu ventre ser tomado por espasmos frios vindo das asas das borboletas imaginárias que surgem em teu estômago.

Gosto quando tua mente e tua vontade sucumbem junto de tua sanidade num emaranhado de sensações e emoções minhas, pois és minha! Até mesmo teus pensamentos e tuas vontades são minhas posses.

Você é minha! Não porque te comprei com presentes caros, não porque te obriguei, não porque te seduzi.

Você é minha por que quis ser assim. Você é minha por que assim se entregou e agora és minha princesa cativa, obediente, submissa e feliz.

Você é minha propriedade, minha adorável menina inocente. E sou teu amo, mestre e senhor.

Gosto de tudo isso, mas amo muito mais você, com todas as suas nuances, tons, notas e sabores.

Terás amor, prazer, segurança, mimos e felicidade, mas não te esqueças meu amor: eu seguro as rédeas, eu tenho o chicote e eu tenho as chaves das algemas e dos cadeados.

Você apenas me obedece e me fascina, conquistando cada milímetro de meu ser.

Eu amo você.


Marcelo Silva
Piracicaba, 03 de abril 2013
...Esperando por você...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Manifesto pseudo-machista acerca da dominação feminina e contra as coleiras que querem nos impor nos nossos culhões.


- Mulher não precisa ser bonita, basta ser bela para seu homem;
- Mulher não precisa ter curso superior, basta aprender a agradar o homem amado;
- Mulher não precisa ser poderosa, basta querer ser feliz;
- Mulher não precisa ser gostosa, basta saber como agradar seu homem na cama;
- Mulher não precisa falar corretamente, basta saber falar a coisa certa no momento certo;
- Mulher não precisa ser elegante, basta respeitar seu homem;
- Mulher não precisa ser dominadora, basta entender que o homem procura na rua o que não tem em casa;
- Mulher não precisa ter conhecimento, basta conhecer o lugar dos dois no relacionamento;
- Mulher não precisa ser séria, basta ser a amante puta entre quatro paredes;
- Mulher não precisa ter um bom emprego, basta empregar seu tempo na construção de um lar;
- Mulher não precisa ter bens, basta se contentar com amor e cabana;
- Mulher não precisa ser submissa, basta reconhecer o que é feito por ela;
- Mulher não precisa ser jovem, basta manter a eterna criança viva dentro de si;
- Mulher não precisa ser sexy, basta ser uma boa amante;
- Mulher não precisa ser educada, basta saber onde e como se portar ao lado de seu homem;
- Mulher não precisa conhecer o mundo, basta saber que existe segurança nos braços de seu homem;
- Mulher não precisa gritar, basta saber gemer e sussurrar embaixo dos lençóis;
- Mulher não precisa mandar, basta ser companheira e pedir;
- Mulher não precisa comandar, basta saber caminhar lado a lado;
- Mulher não precisa ser forte, basta entender que pode contar com a fortaleza de seu homem;
- Mulher não precisa ser empresária, basta saber ser uma boa dona-de-casa;

Então senhoras dominadoras, ciumentas, gostosonas, turbinadas, empresárias, bem-sucedidas, inteligentes, formadas, elegantes, sérias, ricas, bonitas, portadoras de conhecimento, mandonas e outras formas de ser mal-amadas: Homens de verdade querem cuidar de suas mulheres, querem ser homens e terem mulheres. Não queremos essas plastificações, essas inversões de valores; essa fuga do instinto animal que prevalece na natureza. . O mundo se modernizou e os “direitos iguais” lhes trouxeram tantas conquistas, mas lhes tiraram tantas coisas...

Para um homem de verdade (que não foi “plastificado” pela modernidade) o importante é chegar casa e ser recebido pela amada na porta, homens de verdade querem matar leões e na volta da lida encontrar seu castelo e sua rainha a sua espera. Machismo??? Não! Queremos sim as Amélias, as “Mulheres de Atenas”, queremos as normalistas de outrora que eram felizes e faziam seus homens mais felizes ainda.

Nós que aceitamos e entendemos o universo instintivo e natural não temos culpa de suas estórias, não podemos ser julgados pelo vosso passado com homens que não se importaram com vocês. Não podemos nem queremos mais sermos tachados de “machistas”, de “retrógrados”; e de tantos outros clichês dessa “sociedade moderna”.

Essa qualidade de MACHO que está em extinção não quer dominar o mundo, ou conquistar países, ou ter um harém a sua disposição. Queremos trabalhar para manter um lar e dentro dele uma mulher que reconheça e que nos trate como o mantenedor fiel de um castelo ou de uma choupana. Essa qualidade de MACHO que hoje desaparece, quer apenas fazer suas mulheres felizes para assim poder ser feliz.

Não nos confundam com os dominadores, com os infiéis, com os possessivos, com os agressores ou com os modelos de homem moderno que vocês aprenderam a detestar e que numa inversão maluca de valores começaram a tratar todos os homens como se fossem capachos, como se fossem posses; como se a revanche de suas frustrações e de suas mães e avós fossem se resolver com vocês sendo essa escumalha vil e vilipendiosa que vocês mulheres modernas, independentes e poderosas se tornaram.

Sim, nós somos poucos e perseguidos, mas ainda estamos vivos e sempre em busca da mulher perfeita, não da perfeição estética ou social,e sim da perfeição do macho natural e da fêmea natural. Queremos a mulher que nos é merecida e não essa coisa nojenta e absurda que vocês se transformaram ao longo dos séculos.

Façam bom proveito dos homens que as aceitam, pois sabemos que no fundo de suas fantasias, é com nós HOMENS DE VERDADE que vocês sonham em ter na cama.

Aproveitem sua escalada sócio-economica, pois na hora de trocar a lâmpada vocês vão chamar a nós homens. Aprendam a matar baratas primeiro para depois quererem serem as “donas-da-casa” ao invés de “donas-de-casa”.

E aprendam de uma vez por todas: NÓS NÃO SOMOS DOMESTICÁVEIS!!! Esses seres “desculhonizados” que vocês chamam de homem perfeito, pode até ser perfeito... Mas não é HOMEM.

E vocês homens que um dia se deixaram levar pelo perfume que emana de entre as pernas das mulheres e hipnotizados (porque cheiro de xoxota é bom demais!!!!) deixaram-se ser encoleirados. Chutem o balde, o pau da barraca e a porta do quarto!!!
Ainda é tempo (sempre é) de retornarmos ao nosso estado natural e primitivo. Os “evoluídos” que se fodam!!!!


Marcelo Silva

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um conto (Real) de uma grande e especial amiga (Maria S.)



Um conto (Real) de uma grande e especial amiga (Maria S.), que tive o prazer de presenciar o desenrolar da narrativa.

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O AMANHECER PARA O ENCONTRO

Finalmente chegou o grande dia tão esperado, o dia estava maravilhoso e muito mais iluminado do que de costume, a ansiedade e a tensão estavam a flor da pele, mas uma coisa Maria sabia: a certeza de que estava acordando para seu nascimento como submissa real.

Ao se levantar ela foi diretamente para o banho, e depois foi escolher a roupa que iria vestir, uma vez que seu Mestre não impôs o que deveria vestir, apenas escolheu a cor da lingerie. Olhou roupa por roupa e optou por uma calça leg marron e um camisão ao qual se sentia bem sempre quando o usava.

Saiu de casa e foi para o trabalho, mas não conseguia se concentrar pois as sensações do encontro com seu Mestre vinham a tona em uma mistura de medo, nervosismo, ansiedade e alegria. Afinal o dia tão esperado tinha chegado. Trabalhou até as 14hs, saiu e foi direto para rodoviária com seu medo e sua tensão aumentando. Comprou sua passagem para as 15:30, olhou no relógio e ainda eram 15hs, parou em um quiosque e comprou um salgado pois se lembrou que não tinha comido nada. Depois foi se sentar para aguardar que a chamassem para o embarque.


Nesse tempo ela começou a pensar em como seria tudo. Desde a chegada, o período que ela ficaria com seu Mestre, etc. Por mais que ela tivesse confiança, o medo estava incontrolável.

Na hora marcada, ela embarcou rumo ao seu novo nascimento.

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A CHEGADA

Foi uma viagem tranqüila de apenas 2hs, chegando na rodoviária ela ligou para seu Mestre avisando de sua chegada. Quando desligou, ela voltou para dentro da rodoviária e se sentou, inquieta, aguardando a chegada de seu Mestre, minutos esses que serviram para aumentar sua ansiedade.

Não passou mais que 5 minutos para que Maria avistasse seu Mestre, seu amado Mestre, aquele que faria nascer a partir daquele dia a mais pura e verdadeira submissa de alma.

Ao vê-lo de longe e percebendo que ele não havia lhe avistado, Maria ainda ficou olhando por alguns instantes até que suas pernas parassem de tremer e assim criar a coragem de se levantar e seguir na direção de seu Mestre. No momento enquanto caminhava em sua direção, Maria teve a visão mais bela e simples de seu Mestre, a visão sincera que olhava ao redor procurando-a até que ela parou alguns metros a frente Dele.

Ao vê-la, seu Mestre abriu aquele sorriso ao qual ela teve a total certeza que estaria bem e protegida.

ele pegou em suas mãos e a puxou para dar-lhe um abraço e a partir dali Maria esqueceu todos os seus medos e receios.

Caminharam de braços dados até o carro onde ele abriu a porta e segurou para que Maria entrasse, e ali começou o encanto quando ela se perguntou: "Como um Mestre pode ser tão gentil e cavalheiro a ponto de segurar a porta para uma simples submissa."

ele entrou no carro e perguntou a ela: " Podemos ir até a beira do Rio onde tem alguns barzinhos e assim podermos conversar um pouco antes de irmos para casa onde prepararei seu janta?"

E ela apenas respondeu: "Sim, meu Mestre."

Mas novamente Maria se pegou pensando admirada: “Como assim ele me perguntar se eu queria, eu apenas sou uma submissa que está ali entregue a ele.”

Os dois foram conversando sobre vários assuntos e pelo percurso ele foi lhe mostrando alguns lugares turísticos, mas Maria estava hipnotizada por seu Mestre e não estava prestando atenção nos lugares somente Nele.

Chegaram em um barzinho perto da margem do Rio Piracicaba e o Mestre escolheu a mesa para se sentarem e ele puxou a cadeira para que Maria se sentasse e com isso a fez pensar novamente:" Será que essa gentileza toda é somente até iniciarem o jogo?"


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NOS DOMÍNIOS DELE

Ficaram mais ou menos umas 2hs ali e depois seguiram para casa Dele, chegando lá ele lhe mostrou sua casa, seu cães, sua gata, sua marcenaria e depois se sentaram na cozinha onde ele iniciou os preparativos para o jantar.

Após o preparo onde eles não paravam de falar sobre assuntos dos mais variados, ficou tudo maravilhoso e delicioso. Maria passou a se sentir não mais uma simples submissa, mas sim uma princesa! Pois assim que Mestre acredita que deve ser tratada uma submissa: Como a uma "princesa".

Depois do jantar se sentaram na sala e após alguns minutos ele pediu licença e foi para o banho, repetindo seu ritual de preparar-se. Maria ficou ali com a televisão ligada, porém ela estava perdida em seus pensamentos tentando imaginar o que aconteceria dali para frente. Perdida em seus pensamentos Maria não percebeu que seu Mestre já havia saído do banho e somente sentiu a mão Dele que veio por trás e tirou-lhe o óculos e colocou-lhe uma venda e falou em seu ouvido: " Quero que aguarde aqui."

O coração da Maria começou a bater acelerado, ela começou a ter dificuldade para controlar sua respiração e após alguns minutos, deixada ali vendada e sozinha, seu Mestre , sem nada a falar pegou nas mãos dela e ali se iniciou o primeiro guiar de seus passos com a sua total confiança Naquele que a segurava.

ele a levou até o quarto e a colocou sentada em uma cadeira, tirou-lhe a venda e sentou-se a sua frente e lhe perguntou se ela estava pronta para o que ele queria mostrar. ele estava descalço e perguntou para ela se sabia o porque dele estar descalço. Maria apenas respondeu:" Não meu Mestre."

ele explicou que não poderia estar de sapato pois ali naquele quarto iria passear uma alma submissa e ele não poderia sujar aquelas pegadas com a sola de seu sapato. Após sua explicação, Maria achou lindo o respeito ao qual seu Mestre estava tratando sua alma submissa que se preparava para florescer ali.

ele pegou uma almofada, onde repousava a coleira que ele daria a ela. Ela admirou-se e achou bela, era vermelha com detalhes em prata e azul e Maria se emocionou quando seu Mestre explicou o significado da coleira e em seguida colocou em seu pescoço, tudo era muito novo para ela.

Depois ele pegou os pés dela e lhe tirou os sapatos dando-lhe um beijo em cada pé, pediu para que Maria tirasse apenas sua blusa e enquanto isso ficou em pé a sua frente e com a venda nas mãos ele lhe perguntou se ela sabia quem usaria a venda e Maria disse que seria ela, pois sabia que a venda era colocada na submissa e ele lhe disse que não, seria ele que usaria pois ele queria lhe mostrar algo que chamou de "O Jogo do Cego".

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O JOGO DO CEGO

Após colocar a venda em seus próprios olhos, ele pegou uma corda de sisal retorcido e começou a desenrolar cada centímetro dela. Maria não sabia o que aconteceria, essa incerteza do que seria feito aguçava sua curiosidade e sua ansiedade aumentava. No ar, a música de Jean Michel Jarré invadia os ouvidos de ambos.

Após ter a corda totalmente desenrolada ele uniu as duas pontas e foi deslizando até que tivesse em suas mãos o meio da corda, colocou em volta do pescoço da Maria e iniciou o que se tornaria o mais belo Shibari que Maria tivesse visto em qualquer foto! Era como se os olhos de seu Mestre estivessem em suas mãos, a perfeição de cada nó em cada local do corpo dela onde a corda deslizava como uma serpente, era perfeito. Ao término, ele fez totalmente vendado o mais lindo e belo Shibari.

Após terminar, ele sentou-se e por alguns momentos admirou tudo em silencio. Quando as cordas foram retiradas, ele a algemou e com um chicote hípico começou a experimentar a reação dela aos golpes. Era necessário estabelecer os limites dela contra a dor. Um cheiro de incenso de rosas, e cravo e de canela se impregnava por todo o ar do quarto.

Enquanto ele a golpeava, ele começou a dizer que a cada batida do chicote na carne, o cérebro respondia com uma reação de proteção, como se reagisse a dor de maneira torturante como a um castigo. ele pediu para que mentalmente ela percorrer o caminho que a dor fazia desde o local do impacto, imaginasse a criação das sinapses indo pela coluna, chegando no cérebro e o cérebro mandando de volta imediatamente ao local da dor sua mensagem de auto-proteção. ele explicou-lhe que o cérebro era insidioso e que tentaria impedir sua libertação. Que ela tinha que começar a entender que a mente dela que controlava o cérebro e em conseqüente, seu corpo.

Porém para surpresa e vergonha dela, a cada sensação de dor, foi sendo liberto um sentimento de raiva, um olhar de ódio para com seu Mestre, um olhar que O desafiava, mas ele com toda a calma e lucidez chegou bem perto do ouvido dela e fez com que apenas com palavras, aquele olhar se desmanchasse e fizesse com que ela voltasse a razão, lembrando-se que estava ali sendo ensinada e que tudo o que estava acontecendo seguia a regra do SSC ( São,Seguro e Consensual). Seu cérebro começa a perde aquela batalha inútil contra a mente dela.

ele fustigou-a de diversas formas, desde com clamps, chicotes, vibradores, e açoites, MUITOS açoites com chicotes hípicos, de couro, palmatórias e enfim: com as próprias mãos. Sempre que ia mudar de açoite, de posição, acessório ou lugar, ele a vendava, e só durante as mudanças de cenas é que ela era privada de sua visão. De repente ele a deixou amarrada no quarto e saiu dizendo que voltaria logo.

Nesse momento em que ficou sozinha, Maria ficou relembrando as palavras de seu Mestre sobre percorrer o caminho da dor. Ela estava exausta, e apesar de não conter vários gemidos, estava suportando a tudo com resignação, honra, prazer e submissão. ele voltou para o quarto, soltou Maria e a levou para sala onde novamente foi amarrada às paredes, tendo seus braços mantidos estendidos em direções opostas e com os pulsos um pouco mais altos que a cabeça. Ela estava no centro da sala, não havia parede em suas costas para dividir ou aliviar o seu peso contra os grilhões em seus pulsos. Apesar de ela estar na ponta dos pés, tendo seu equilíbrio posto à prova a cada respiração, conseguia controlar sua respiração e tentar acompanhar os impulsos elétricos de seu corpo e tentar interceptar a mensagem cerebral de fugir, se proteger, lutar contra. Usando o meio do chicote hípico como um cane, ele golpeou suas nádegas com tamanha força e de tal forma, que o ar era retirado dos pulmões dela sob forma de pequenos gritos. ele parou o açoite e ao seu ouvido perguntou-lhe se ela ficaria calada ou se precisaria de mordaças. Sabendo que teria ânsia com a mordaça, ela afirmou que ficaria em silencio e se resiguinou a de olhos fechados sentir seu corpo respondendo a um chamado ancestral, algo que vinha de dentro de seu útero. Ela não imaginava que tudo aquilo a levaria próximo a um ponto que ela jamais imaginou que poderia chegar tão perto, o Subspace.


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A VISÃO DO SUBSPACE PARA MARIA

Maria estava amarrada pelos braços e seus pés separados para que não tivesse como move-los. ele estava em seus pensamentos mais profundos, procurando alcançar os limites da dor de Maria, enquanto ela seguia as orientações, para que percorresse com a mente o caminho da dor que sentia e que não deixasse que seu cérebro comandasse. Como em um passe mágico, Maria conseguiu e começou a percorrer cada centímetro da dor que estava sentindo e se sentiu como se estivesse se desprendendo de seu corpo, como se sua alma submissa quisesse sair! Era como se sua alma pudesse ver o belo espetáculo de seu desabrochar para que florescesse. Mas quando tudo perdeu o sentido, quando seus olhos perderam a luz e seu corpo convulsionou em prazer, ela percebeu que se afastava daquele lugar que mal entrara, que apenas vislumbrou ao largo, de passagem. Foi quando ela percebeu que suas amarras estavam sendo soltas, que ela não se segurava mais em pé e que eram os braços dele que estavam amparando o seu corpo febril, suado e Trêmulo.

Maria não conseguia mais sustentar suas pernas, a visão, mesmo que distante do subspace, avistada por sua alma fez com que ela não quisesse mais voltar, queria ficar ali. Observando e sentindo o prazer de sua libertação. Mas teve que voltar, porém com a certeza que em breve estará totalmente liberta.

Após se recuperar, Maria foi tomar um banho e saindo do banho foi deitar-se aos pés do seu Mestre enquanto ele via TV, e ali por alguns instantes conversaram e ela beijou seus pés por diversas vezes, agradecendo ao que havia sido exposta. Logo adormeceu, acordando apenas para ir deitar ao lado de seu Mestre que a colocou em seu peito e com isso voltou a dormir em um sono tranqüilo e com a certeza que estaria protegida.

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O DIA SEGUINTE

Maria foi acordada pela manhã por seu Mestre com um delicioso café da manhã na cama, o que mais uma vez a deixou encantada e somente confirmou o que ele sempre disse: "Uma submissa deve ser tratada como uma princesa antes, durante e depois do jogo."

Após o delicioso café eles foram se sentar na sala e começaram a conversar sobre tudo o que havia acontecido na noite anterior, ele se levantou e pegou um delicioso vinho tinto seco e serviu a Maria e prosseguiram a conversa.

Depois ele se levantou e disse a ela que iria tomar um banho e ela já imaginou: "Iniciaremos o jogo novamente."

Ao sair do banho ele colocou a coleira em Maria e a levou para o quarto, fechando as janelas e a porta, deixando tudo escuro como a noite, mais uma vez a música invadiu o ambiente e o cheiro de incenso recomeçou seu vôo pelo ar do quarto. E então iniciou-se novamente uma longa e extenuante seqüência de movimentos, açoites e conversas curtas ao pé do ouvido dela, sempre entrecortadas pela privação de sua visão a cada mudança de movimento.

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O CAVALO
Presa na parede com as pernas e os braços abertos por cordas negras, ele afastou o Maximo o corpo dela da parede e entre suas pernas colocou um cabo de madeira grosso, com mais ou menos um metro e meios de comprimento. No alto de sua cabeça pendia uma corda de seda vermelha, que foi passada entre a parede e suas costas e atada à ponta do cabo, mantendo ele de um lado na exata altura de sua púbis, enquanto a outra ponta toca o chão. Na sua frente colocou um cavalete e aos poucos foi erguendo a outra ponta do cabo que ainda estava livre. Aos poucos ele foi erguendo a madeira roliça, pressionando sua púbis e clitóris ao máximo, ao mesmo tempo em que ia esticando as cordas cada vez mais. Agora Maria já respirava compassadamente e tentava entender cada momento de dor, compressão, dilatação e torção que cada músculo de seu corpo experimentava.

Quando todo o seu peso estava sendo sustentado apenas pelos pulsos e pela púbis, e tendo seus pés sendo puxados para baixo pelo outro conjunto de cordas em seus tornozelos, ele se afastou e admirou a perfeita obra de arte desenhada pelas cordas rubro e ébano e pelo seu corpo moreno contra a parede branca. Após essa contemplação ele parou e disse a Maria que a deixaria ali, amarrada, vendada e em cima do cavalete, pois iria fazer o almoço, ela apenas respondeu “Sim Senhor” e resignou-se a continuar sozinha, mostrando ao seu cérebro que sua mente podia dominar seu corpo.

ele saiu e depois de alguns instantes retornou com um copo de vinho e permitiu que ela tomasse alguns goles no qual ele com toda gentileza do mundo colocou em sua boca com o máximo de cuidado para que não caísse uma só gota, enxugou seus lábios com um guardanapo branco e novamente saiu.

Maria começou a pensar e relembrar tudo o que havia acontecido e ao mesmo tempo sentia vergonha das várias vezes que durante o jogo ter desafiado seu Mestre com aquele olhar de raiva que por algumas vezes se atreveu a aparecer novamente.

ele voltou ao quarto e soltou as mãos dela dos grilhões, libertando braços e pernas, soltou o cabo do cavalete e novamente ela tinha seu peso sustentado por suas próprias pernas. ele colocou as algemas e perguntou se estava tudo bem, levantando a venda. Após a confirmação que estava bem, ele voltou a vendá-la e segurou em seus ombros guiando-a pela casa, pelo caminho ela sabia estava indo para a cozinha.

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COZINHANDO

Chegando na cozinha, ele a colocou deitada no colchão e sem entender nada ela ficou deitada, esperando o que aconteceria. ele percebendo a tensão e ao mesmo tempo a curiosidade da Maria, tirou-lhe a venda e ela pode perceber que ele havia posto um colchão aos pés do fogão, onde ela agora estava deitada de lado e com as algemas prendendo-lhe o pulso. E ali ela ficou aos pés do seu Mestre, vendo ele cozinhar.

Após o almoço ficar pronto, ele tirou as algemas, deu um abraço e um beijo em sua testa e pediu-lhe que ela fosse se banhar. E ao sair do banho ela encontrou uma mesa posta com uma deliciosa comida que fumegava nos recipientes em cima da mesa.

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PARTIDA

Após o almoço ele a levou até a rodoviária e antes de subir no ônibus Maria abraçou seu Mestre, agradecendo pelo lindo final de semana e por tudo que passaram juntos

Ao sentar-se no ônibus ela tinha a certeza que a partir daquele final de semana, tinha se iniciado o nascimento da submissa de alma que dentro dela estava aprisionada, e que iniciou o polimento de uma linda joia como assim ele a chamou: "Você a partir de hoje será a minha pérola."

E Maria seguiu seu caminho com a certeza de que em breve estaria novamente com seu amado Mestre.

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Cigana

Cigana

Nem mesmo o mais bem pago dos menestreis a serviços de fidalgos nobres e poderosos poderiam cantar tua beleza cara moça.
Pois para isso não se existe paga ou valor.
Talvez uma busca intima nas sinapses naturais que nos ligam ao todo fosse um principio para a busca de palavras que pudessem louvar tua estética bela.
Mas... ô meus olhos de esteta que não param de me envergonhar!
Não posso olvidar a percepção desse teu olhar esquerdo, que arqueando as sobrancelhas transparecem algo de profundo, de inato e de pesaroso.

Que buscas esse olhar não conseguiu ainda?
Que horizontes esse olhar tanto anseia?
E esse delinear de lábios, cujas marcas laterais denotam que tantas e tantas vezes você teve o semblante tomado por forças sisudas, por sentimentos malvados que te marcaram a face.
Ergue teu olhar menina forte!
se não te sentires poderosa, busca teu poder. abre tuas asas invisíveis espana o pó das articulações que a muito não foram usadas. espreguiça-te espantando o travamento dessas longas asas que a muito você se esqueceu delas.
Lembra quando de tua infância? que você olhava as nuvens e sentia que podia tocar-lhes? lembra quando pela janela, os pingos da chuva te fazia nostálgica, lembrando de um tempo que jamais existiu? Lembrados sonhos que você nunca os teve, mas que te perseguem nas sombras?
Tudo isso eram tuas asas que por algum sortilégio foram escondidas.
Ponha suas garras à mostra doce menina!
Arreganhe sua arcada dentária e mostre suas presas doce loba!
abra tuas asas e voe!!!
VOE doce anjo!!!
E acredite, tem sido um inenarrável prazer interagir com tão doce e educada dama.
Obrigado pela oportunidade de lhe conhecer.
Marcelo Manoel da Silva
27 de agosto de 2013
com fome, com sede; e sem nada ou ninguém que sacie minha alma...

Desespero

Hoje acordei sem você ao meu lado, como todos os dias dos últimos quatro meses. Mas hoje foi mais frio e doloroso. Todos os dias você me ligava cedinho e ainda na cama conversávamos e contávamos como seria o nosso dia. E eu reclamava pela sua demora em vir embora e você me falava: “Paciência meu amor, em breve estaremos juntos.”

Hoje eu acordei sabendo que você não vai me ligar, talvez nunca mais ligue. Hoje o celular me acordou as sete para te esperar ligar ou chegar para tomar café comigo, mas eu não levantei ou me aninhei embaixo das cobertas esperando a sua voz.

Hoje a ficha caiu e eu não paro de chorar.


Ai amor... nós lutamos tanto contra tanta gente que era contra nossa união, nosso amor. E eu que sou tão forte não pude te passar nada dessas couraças que me protegem. Você, minha borboleta linda, foi frágil demais para suportar tanta inveja, tanto rancor e tanto ódio. Agora jaz em cima de uma cama em uma UTI fria e solitária. As flores não florescem nas UTI´s...

Por que não viestes antes? Eu já sei. Você viria, mas por respeito a quem tanto te desrespeitou, você adiou sua vinda e tudo degringolou. E agora além de longe, inalcançável e proibida para mim. Mais do que antes.

Ha meu amor... Onde estará sua mente agora? Por onde andará aquele olhar que me enfeitiçou. Saudades do teu dente lindo, predador de minha pele. Saudades de tua voz infantilizada que me tratava como um bebê. Que falta da sua voz!

Eu odeio Deus, odeio o destino, odeio o mundo!

Nosso maior sonho, o mais bobo de todos, andar de mãos dadas pela rua. Nem isso tivemos direito. Agora os que nos atingiram, que nos acusaram, devem estar felizes com o fato. Agora Vão falar que a culpa foi sua, foi minha; foi nossa culpa. Sim filhos das putas! A culpa foi toda e inteiramente nossa! Ninguém teve participação.

Fomos nós dois que amamos além do permitido, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que sonhamos em sermos três, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que passamos do flerte à paixão e da paixão ao amor e do amor ao companheirismo em tão pouco tempo, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que nos escondemos do desamor alheio e apostamos que juntos, apenas nós dois, seriamos capazes de sobreviver a todas as tormentas, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que quebramos tabus e resolvemos que seriamos felizes à nossa maneira , NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que planejamos, sonhamos e almejamos a felicidade, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que traímos conceitos, pessoas, palavras, costumes, e pactos... Apenas para podermos ser felizes ao lado de quem amamos, NOSSA CULPA!
Fomos nós dois que nos amamos tanto... NOSSA CULPA!

Há meu amor... Eu te amo tanto...

Volta... sai desse limbo... vem adormecer nos meus braços, segurando em minha orelha e usando-me como acalento, Vem embora amor!!!!!!!!!! POR FAVOR!!!!

A vida tá feia sem você. Minha vida nada vale sem teu amor, teu carinho, tu submissão e nossa estória. Quero ir em busca de você, onde quer que estejas. Foi você quem me ensinou uma valiosa lição. Foi por você e por essa lição que tanta coisa de meu passado veio a tona. Você foi a tabua que me agarrei quando tudo mais naufragou. Vem pra nós dois. Eu não vou agüentar isso por muito tempo.

Quero acordar cedinho novamente e espalhar pétalas de flores em nossa cama, como você gostava tanto. Quero brincar, jogar e cuidar de ti minha amada. Quero deitar contigo no meu peito, colada em mim e ganhando caricias nos teu cabelos.

Volta... Meus dedos sentem a falta dos teus cabelos. Minhas mãos querem fazer tranças em você. Será que de onde estás te lembra das tranças que eu fazia em você? Será que a memória das massagens que te fiz ainda vão ecoar em algum lugar? Será que você escuta eu gritando teu nome agora? Chorando e uivando feito um condenado? Será que meu amor vai morrer assim?

Eu não quero mais amar. Eu não quero mais o amor. Eu não nasci para isso, não nasci para ser feliz.

Volta pra mim Sabrina. Ta escuro, ta frio, estou com medo. Esse mundo não presta mais. Estou sozinho, quero ir contigo. Vem me buscar, por favor.

Marcelo Silva
04 de julho de 2013, 08:52
Neste mês de aniversário, como presente, quero apenas sumir, morrer e ir embora dessa vida maldita.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Renascendo

Se por um mirabolante acaso, um dia te encontrares no meio de um penhasco numa noite de tempestade, antes de se desesperar é melhor analisar a situação. Olhe para cima e perceba a impossibilidade de subir pois tigres famintos te esperam no alto. olha para baixo e vislumbre ninhos de serpente peçonhentas que te aguardam na descida.
O vento tenta te arrancar e te jogar contra as pedras, os raios iluminam toda a falta de esperança que te engole; teu corpo já mostra sinais de finitude.
Mas presta atenção!

entre um e outro lampejo de um raio, verás um morango brotando na aridez da rocha escarpada e estilhaçada. Um único, maravilhoso e suculento morango!
esqueça dos tigres, das serpentes e da morte eminente, colhe esse morango!
Leva-o até tua boca e beija-o, sentindo as sementes acariciarem teus lábios, morde delicadamente sentindo o sumo rubro escorrer para dentro de tua boca.
Aproveite esse momento, pois será teu ultimo momento, assim como cada momento de nossas vidas pode assim o ser.
nossas vidas são efêmeras como a vida de uma mariposa, e tem a mesma fragrância do eterno passado, do nunca presente; do improvável futuro.
O momento é seu! a vida é sua! apenas colhemos o que plantamos, tenhamos cuidado com o plantio!
Abre tuas imaginárias asas e abraça ao vento, decola na tua mente e segue teu rumo. Pois a pior das dores é a solidão, as mais horríveis chagas são as marcas de tristeza que carregamos no semblante.
Vês! a morte nos ronda, como se fosse um belo tempero à vida. Abracemos a vida e cultuemos a morte. pois um dia ela nos beijará e nos seu doce beijo iremos fechar um ciclo para outro iniciar.
Vês! agora é o momento da vida, do morango; da maravilhosa aventura de viver!!!!

Marcelo Silva
01 de agosto de 2013
renascendo...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Princesa morta, Menina Posta...

Não me interessam mais as submissas de ocasião, não me apetecem as relações baseadas em sentimentos falsos; não me encontro mais quando olho para meu passado recente.

Não quero mais a submissão por hobby, busco a essência e não mais os sintomas. Busco a entrega, e não mais o receio, a imitação; as eternas promessas infindas.
Quero a mulher prenhe de entrega, fecunda de aceites e plena de si mesma , ciente de sua posição.

Quero a mulher-menina que chamarei de MINHA, quero o ponto de encontro no meio de uma série de coincidências, e coincidências não existem. Quero recebê-la em minha casa, e ainda no calor do encontro pousar meu olhar sobre meu domínio que ela chama de vida.


De frente à minha cadeira, a colocarei de joelhos sobre almofadas, pois minha posse não pode e nem deve ser danificada. Quero enfiar meus dedos em sua nuca e cerrar meus punhos, tencionando até as raízes de seus cabelos. Retesarei sua cabeça para trás e me aproximarei o bastante para que minha face sinta o calor de seu rosto, quero sentir o sabor de seu hálito quente, quero desfocar minha visão pela proximidade do meu objeto de desejo.

Arreganhando minhas narinas, quero aspirar o cheiro de sua pele. Meu lado primitivo e tão presente se inquietará com seu cheiro de fêmea no cio, fazendo-me libertar o lobo faminto que a grande custo tento controlar no meu dia-a-dia. Quero exibir o perigo preemente em meu olhar, quero que ela antegoze e fique ansiosa com a sede exibida nos meus olhos silenciosos e famintos.

Vou chegar bem perto de seu ouvido, e sem que nossa pele se toque, vou perguntar o que ela não quer ou não permite, e alertarei que todo o resto não delimitado será imposto, cobrado, praticado e introjetado através de seus poros. Farei ela compreender as regras de minha liturgia e conhecerei os limites de sua entrega, para assim termos um ritual próprio, nosso; único.

Ordenarei que se dispa, peça por peça. Que se exiba para meu deleite, que me mostre cada centímetro desnudado, exposto, oferecido por livre e espontânea vontade. Vou memorizar cada marca, cada curva, cada pinta, cada pelo de seu corpo. Quero e vou guardar cada detalhe de seu corpo e ler cada sinal de sua linguagem corporal. Vou invadir a sua mente e aprender seus segredos, suas intenções; seus medos e anseios.

E quando estiveres desnuda da forma que eu decida, a levarei às amarras, às contenções e aos labirintos perversos de minha mente insana, selvagem; dominadora. Vou invadir suas fronteiras e tomar seu corpo de assalto. Extenuarei suas forças, fustigarei sua vontade própria; A guiarei pelos meandros dos incômodos, pelas vielas da dor; pelos becos escuros da dominação e quando a jornada frenética (e milimetricamente calculada e controlada) terminar, a recompensarei, então suas amarras serão abertas, sua contida posição será banhada por minhas mãos ávidas em proporcionar-lhe o prazer do after-pain.

Cuidarei de cada centímetro de seu corpo, vasculharei suas marcas e delas me encarregarei. Banharei seu corpo,lavarei seus cabelos; hidratarei sua pele com óleos essenciais, farei com que cada milímetro de nossa escalada seja regiamente recompensada, farei com que ao final de seu deleite, ela deseje mais e mais jogos e sessões em busca não apenas de nossa liturgia de prazer, dor e submissão, mas também que ela busque o porto seguro e acolhedor de sua recompensa , se assim for merecedora.

E então, me dignificarei a oferecer meu corpo e minha mente para que ela escolha entre o descanso e entre a baunilha, entre a morte suave dos extenuados e entre a cavalgada sutil da fêmea; entre o sono dos que se abraçam e entre o sono dos que se amaram.

E assim, todos os caminhos se reabrirão e a luz invadirá os recônditos que foram cegos e entregues às trevas. Desta forma um ciclo se quebra e outro se inicia. Princesa morta, Menina posta. E tudo o que um dia foi planejado, e tudo o que um dia foi esperado, e tudo o que um dia foi negado reviverá em outros 50 milhões de tons de realidade, e os 50 milhões de tons de ficção ficarão onde devem ficar: nas mentes dos curiosos, nas fantasias dos covardes; nas mentiras dos que se negam a abraçar o destino e a vida.

Marcelo Silva
29 de julho de 2013
Ainda olhando para trás, mas agora não na espera da chegada de quem por escolha própria ficou pelo caminho, e sim no contemplar de uma lição aprendida, de uma fratura ainda exposta, porem indolor, morna e em seus últimos estertores de existência.